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PESQUISA

Portfólio 2026

Em minha pesquisa, resgato fotos do início da primeira era digital, de amigos, conhecidos ou mesmo imagens populares que circulavam pela internet, e as altero e distorço digitalmente para então pintá-las com tinta a óleo sobre tela.

 

O desejo de falar sobre esse período de transição entre o analógico e o digital nasceu da minha história pessoal. Nasci no interior de São Paulo, em um contexto muito cristão, machista e conservador. Nesse contexto a internet desempenhava um papel importante de acesso e construção, como um espaço onde eu poderia ser quem eu era.

 

Do contraste com a atualidade, observei a perda de ingenuidade das imagens em relação à performance social que hoje vem atrelada a elas. Em paralelo, pensei com este projeto sobre como diversos desses arquivos digitais simplesmente se perderam, apesar da promessa tecnológica de duração das nossas memórias em um HD. Ao mesmo tempo, com a popularização das câmeras digitais, vários desses fragmentos visuais e símbolos, que muitas vezes nem foram feitos para durar, ainda permanecem em nosso presente, mesmo sem função aparente ou sem que as novas gerações saibam do que se trata.

 

A pintura surge no trabalho como eixo central da pesquisa, guiando questionamentos em torno da história da representação iconográfica que vemos e produzimos enquanto sociedade, e se colocando em oposição direta a esse consumo acelerado de imagens na atualidade. Traz, inclusive, a tensão sobre o que realmente fica para cada um de nós, individualmente, e também sobre a cultura das imagens que consumimos freneticamente.

 

As redes sociais e a internet transformaram profundamente nossas percepções sobre as figuras, seus símbolos e significados, assim como a forma como consumimos essas imagens. E atravez desse trabalho que tento entender e processar essa experiência que atravessamos juntos enquanto sociedade.

© Luana Hymans

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